Indagações Poéticas
É possível percebermos, à medida que lemos e contemplamos os processos vivenciados pelos participantes, uma busca incansável pelo entendimentos do eu nesses tempos sombrios. A angústia e a esperança é algo que permeia muitas das produções que constitui esta publicação. Quando imaginei propormos um curso que fosse dividido entre produção de autorretrato e textos reflexivos não havia mensurado a importância do tema "no agora". Muitos estão vivendo um sentimento de "apocalipse sem Cristo" e buscando diferentes formas de se manter em movimento.
Refletir sobre a forma como somos afetados e podemos afetar o outro é um ato de afirmação do ser vivente e criativo. Num mundo em que as pessoas são engolidas pelo trabalho em meio ao caos sanitário (ou pelos problemas acarretados na falta do primeiro; questões de sobrevivência) foi muito satisfatório podermos fazer deste laboratório um espaço de experimentação sobre os nossos desejos, esperanças, medos, embates e dilemas subjetivos. Pois, se "o pessoal é político", ele também é coletivo.
Que estes escritos e representações do "eu" no presente possam reverberar no "nós" do futuro a fim de alcançarmos dias melhores.
Para aqueles que se interessam pelas questões dos processos artísticos é possível compreender um pouco sobre a dinâmica do nosso laboratório a partir do mergulho profundo nesta publicação. Por isso, convidamos a todes que compartilhem dessas "indagações poéticas" a se aventurarem e olharem para si como quem olha para algo a ser re(inventado), construído na multiplicidade das afecções entre você e o nós deste instante.
Mergulhe. Profundamente... Mas sempre volte à surpefície. O verão passa, mas ao mesmo tempo, permancece em nós.
Texto escrito pela organizadora da publicação digital Natalie Mirêdia.
